“Será que nada vai
acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?”
Acabo de assistir o filme “Somos tão jovens”, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, pela segunda vez. Sabia que seria maravilhoso só pela proposta de relatar um ícone como Renato Russo e desde já me desculpo, pois sou suspeita, completamente parcial e passional, para escrever sobre ele.
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?”
Acabo de assistir o filme “Somos tão jovens”, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, pela segunda vez. Sabia que seria maravilhoso só pela proposta de relatar um ícone como Renato Russo e desde já me desculpo, pois sou suspeita, completamente parcial e passional, para escrever sobre ele.
O filme é uma ficção inspirada na juventude do Renato,
fielmente interpretado por Thiago Mendonça, e seu relacionamento com a música.
Relata, sobretudo, um gênio e seus principais conflitos; sua sexualidade,
frustração pelo momento de opressão vivenciado pelo país naquela época e até
sua decepção com o ser humano. Além de me maravilhar ao ver, agora ilustrada, a
facilidade que um dos meus ídolos tem de se expressar e fazer de algo
corriqueiro uma bela canção, outro ponto forte me prendeu completamente.
O movimento punk foi uma contestação ao que estava
acontecendo no mundo na década de 1970 e não teria lugar melhor para surgir, no
Brasil, do que em Brasília. A juventude politizada, ou subversiva, se revoltou
com os efeitos da ditadura militar no país e fez da música sua principal aliada
para esse desabafo. Enquanto mostravam os jovens, de classe média/alta,
contestando e se indignando logo pensei nos jovens, nós, da atualidade. É tanta
coisa acontecendo e não fazemos nada. Roubam-nos todos os dias, nos acostumamos
com a imensa diferença de classe e a importância do status e estamos inertes a
isso tudo. Discutir política ficou chato e cansativo porque no fundo todos nós
acreditamos que não irá dar em nada, mudar essa máquina é difícil demais, então
sobrevivemos. Nós, a atual juventude parasitária, temos como únicos traços ativistas
aqueles absorvidos pelos livros didáticos com a Diretas já, movimentos
sindicais e Caras Pintadas. O filme me mostrou como somos acomodados.
O punk passou mas as contestações do Renato ainda ficaram,
agora com melodias e formatos diferentes. A seleção musical foi maravilhosa,
era até comum ouvir pessoas cantando em pleno cinema, aliás, diferentes eram
aqueles que não fizeram do filme um momento de homenagem e se calaram. Não
citarei a seleção musical, estragaria aquela vontadezinha e espera pela sua música
preferida. Apenas antecipo que a minha não foi, omitir “Acrilic on canvas”
talvez seja o único erro do filme.
Também não mostrou o definhamento do Renato, sua reclusão no
final da doença. Confesso que achei melhor, apesar dos grandes fãs já saberem e
ouvirem como foi, é triste ver a maneira que uma pessoa tão talentosa se foi. Ainda é
cedo, e sempre será. O filme termina quando a Legião Urbana consegue o show no
Rio de Janeiro, responsável por alavancar sua carreira. E para fechar,
realmente com chave de ouro, no final há um clipe de uma música maravilhosa,
uma das mais bonitas e intensas da história musical brasileira. Não contarei
qual. Eu chorei e me arrepio ao lembrar.
Portanto, é desnecessário dizer que indico esse filme. Vá com a mente aberta, olhos críticos e ouvidos atentos, ou não, mas vá.
“Brigar pra quê se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?”
“Brigar pra quê se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?”

Nenhum comentário:
Postar um comentário