quarta-feira, 22 de maio de 2013

Somos tão jovens


“Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?”

    Acabo de assistir o filme “Somos tão jovens”, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, pela segunda vez. Sabia que seria maravilhoso só pela proposta de relatar um ícone como Renato Russo e desde já me desculpo, pois sou suspeita, completamente parcial e passional, para escrever sobre ele.
    O filme é uma ficção inspirada na juventude do Renato, fielmente interpretado por Thiago Mendonça, e seu relacionamento com a música. Relata, sobretudo, um gênio e seus principais conflitos; sua sexualidade, frustração pelo momento de opressão vivenciado pelo país naquela época e até sua decepção com o ser humano. Além de me maravilhar ao ver, agora ilustrada, a facilidade que um dos meus ídolos tem de se expressar e fazer de algo corriqueiro uma bela canção, outro ponto forte me prendeu completamente.
    O movimento punk foi uma contestação ao que estava acontecendo no mundo na década de 1970 e não teria lugar melhor para surgir, no Brasil, do que em Brasília. A juventude politizada, ou subversiva, se revoltou com os efeitos da ditadura militar no país e fez da música sua principal aliada para esse desabafo. Enquanto mostravam os jovens, de classe média/alta, contestando e se indignando logo pensei nos jovens, nós, da atualidade. É tanta coisa acontecendo e não fazemos nada. Roubam-nos todos os dias, nos acostumamos com a imensa diferença de classe e a importância do status e estamos inertes a isso tudo. Discutir política ficou chato e cansativo porque no fundo todos nós acreditamos que não irá dar em nada, mudar essa máquina é difícil demais, então sobrevivemos. Nós, a atual juventude parasitária, temos como únicos traços ativistas aqueles absorvidos pelos livros didáticos com a Diretas já, movimentos sindicais e Caras Pintadas. O filme me mostrou como somos acomodados.
    O punk passou mas as contestações do Renato ainda ficaram, agora com melodias e formatos diferentes. A seleção musical foi maravilhosa, era até comum ouvir pessoas cantando em pleno cinema, aliás, diferentes eram aqueles que não fizeram do filme um momento de homenagem e se calaram. Não citarei a seleção musical, estragaria aquela vontadezinha e espera pela sua música preferida. Apenas antecipo que a minha não foi, omitir “Acrilic on canvas” talvez seja o único erro do filme.
    Também não mostrou o definhamento do Renato, sua reclusão no final da doença. Confesso que achei melhor, apesar dos grandes fãs já saberem e ouvirem como foi, é triste ver a maneira que uma pessoa tão talentosa se foi. Ainda é cedo, e sempre será. O filme termina quando a Legião Urbana consegue o show no Rio de Janeiro, responsável por alavancar sua carreira. E para fechar, realmente com chave de ouro, no final há um clipe de uma música maravilhosa, uma das mais bonitas e intensas da história musical brasileira. Não contarei qual. Eu chorei e me arrepio ao lembrar.
    Portanto, é desnecessário dizer que indico esse filme. Vá com a mente aberta, olhos críticos e ouvidos atentos, ou não, mas vá.

“Brigar pra quê se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?”



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