segunda-feira, 27 de maio de 2013
Doidas e Santas - Martha Medeiros
Livro de cabeceira?!
Quando o vi na livraria logo me chamou atenção, não sei se foi a capa, o nome ou até o formato do livro. Vestido com uma pin up, "Doidas e santas" é a coletânea das crônicas de uma das melhores escritoras contemporâneas do Brasil, Martha Medeiros. Leio todos os dias e tento absorver um pouco da sensibilidade e maturidade da escritora, além das suas lições e deslizes. Há aprendizado, dor e açúcar a cada página.
Quando a proposta é ler sobre o universo feminino geralmente tento me afastar e recebê-lo de modo quase imparcial; a mulher torna-se um personagem e seus conflitos são algo que leio mas nunca vivi ou viverei. Nesse livro, porém, não há afastamento, reclusão ou indiferença, é tudo real, presente e simultâneo. Me identifico a cada parágrafo e rio de mim mesma pelos erros da autora.
O livro também carrega importantes indicações literárias, musicais e cinematográficas. Me viciei no escritor Philip Roth e sua obra "O animal agonizante", que escreverei sobre em outra oportunidade. Conheci a banda Bread e, para fechar bem essa pequena listagem de indicações, a crônica "Para que lado cai a bolinha" me apresentou um dos melhores filmes que já vi, "Match point", do Woody Allen.
É, portanto, um livro para todas independente da classe econômica, faixa etária ou opção sexual. Afinal, apenas nós, sempre Doidas e Santas, sabemos a felicidade e o pesar de ser quem somos.
"Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de desejar. (...) O que eu quero mais? Me escutar e obedecer meu lado mais transgressor."
Martha Medeiros também publicou os livros de poesia "Meia noite e um quarto", "Persona non grata", "De cara lavada, "Poesia reunida" e "Cartas extraviadas e outros poemas"; De crônicas "Topless", "Trem-bala", "Non-stop", "Montanha russa" e "Coisas da vida". Além disso, publicou os romances "Divã", "Selma e Sinatra" e "Tudo que eu queria te dizer".
Observações importantes:
Reduzi o tamanho do texto para agradar gregos e troianos.
Começo hoje a leitura da saga O Tempo e o Vento, da parte do O ContinenteI, na tentativa de reviver a oitava série, atual nono ano. Alguém me acompanha no regresso ou nostalgia? Simmmbora!
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Lugares inacreditáveis
Confesso que fiquei impressionado com tanta beleza quando, navegando por aí na net, vi esse ensaio fotográfico sobre lugares inacreditáveis. Melhor você mesmo ver e tirar suas conclusões! Coisa de filme, não é?! Separei minhas preferidas aqui embaixo, mas o restante do ensaio você confere aqui, na nossa fonte!
Zhangye Danxia, China
Monte Roraima, América do Sul (tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana)
Cavernas de gelo de Mendenhall, Alasca
Montanhas Tianzi, China
Campo de tulipas – Holanda
Imagens por, respectivamente: unbelievableinfo.blogspot.it; Uwe George; Kent Mearig; Richard Janecki; Allard Schager.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Somos tão jovens
“Será que nada vai
acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?”
Acabo de assistir o filme “Somos tão jovens”, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, pela segunda vez. Sabia que seria maravilhoso só pela proposta de relatar um ícone como Renato Russo e desde já me desculpo, pois sou suspeita, completamente parcial e passional, para escrever sobre ele.
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?”
Acabo de assistir o filme “Somos tão jovens”, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, pela segunda vez. Sabia que seria maravilhoso só pela proposta de relatar um ícone como Renato Russo e desde já me desculpo, pois sou suspeita, completamente parcial e passional, para escrever sobre ele.
O filme é uma ficção inspirada na juventude do Renato,
fielmente interpretado por Thiago Mendonça, e seu relacionamento com a música.
Relata, sobretudo, um gênio e seus principais conflitos; sua sexualidade,
frustração pelo momento de opressão vivenciado pelo país naquela época e até
sua decepção com o ser humano. Além de me maravilhar ao ver, agora ilustrada, a
facilidade que um dos meus ídolos tem de se expressar e fazer de algo
corriqueiro uma bela canção, outro ponto forte me prendeu completamente.
O movimento punk foi uma contestação ao que estava
acontecendo no mundo na década de 1970 e não teria lugar melhor para surgir, no
Brasil, do que em Brasília. A juventude politizada, ou subversiva, se revoltou
com os efeitos da ditadura militar no país e fez da música sua principal aliada
para esse desabafo. Enquanto mostravam os jovens, de classe média/alta,
contestando e se indignando logo pensei nos jovens, nós, da atualidade. É tanta
coisa acontecendo e não fazemos nada. Roubam-nos todos os dias, nos acostumamos
com a imensa diferença de classe e a importância do status e estamos inertes a
isso tudo. Discutir política ficou chato e cansativo porque no fundo todos nós
acreditamos que não irá dar em nada, mudar essa máquina é difícil demais, então
sobrevivemos. Nós, a atual juventude parasitária, temos como únicos traços ativistas
aqueles absorvidos pelos livros didáticos com a Diretas já, movimentos
sindicais e Caras Pintadas. O filme me mostrou como somos acomodados.
O punk passou mas as contestações do Renato ainda ficaram,
agora com melodias e formatos diferentes. A seleção musical foi maravilhosa,
era até comum ouvir pessoas cantando em pleno cinema, aliás, diferentes eram
aqueles que não fizeram do filme um momento de homenagem e se calaram. Não
citarei a seleção musical, estragaria aquela vontadezinha e espera pela sua música
preferida. Apenas antecipo que a minha não foi, omitir “Acrilic on canvas”
talvez seja o único erro do filme.
Também não mostrou o definhamento do Renato, sua reclusão no
final da doença. Confesso que achei melhor, apesar dos grandes fãs já saberem e
ouvirem como foi, é triste ver a maneira que uma pessoa tão talentosa se foi. Ainda é
cedo, e sempre será. O filme termina quando a Legião Urbana consegue o show no
Rio de Janeiro, responsável por alavancar sua carreira. E para fechar,
realmente com chave de ouro, no final há um clipe de uma música maravilhosa,
uma das mais bonitas e intensas da história musical brasileira. Não contarei
qual. Eu chorei e me arrepio ao lembrar.
Portanto, é desnecessário dizer que indico esse filme. Vá com a mente aberta, olhos críticos e ouvidos atentos, ou não, mas vá.
“Brigar pra quê se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?”
“Brigar pra quê se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?”
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O Poema Sujo
Bem
vindos à nossa revista! A equipe Poema Sujo agradece a todos que curtiram a
página, e a todos que nos apoiaram e incentivaram essa ideia; em especial ao
Celso Haddad por toda a ajuda prestada. O entretenimento de vocês, leitores, é primordial
para o alcance de nosso objetivo. Esperamos que gostem!
O nome
do blog é uma homenagem ao livro Poema
Sujo e ao autor Ferreira Gullar. A sonoridade do título nos agradou e
decidimos, portanto, que seria assim chamado. Nada mais justo do que fazer a
primeira matéria sobre eles, não é?! Por sorte e acaso, tivemos a oportunidade de
assistir a uma palestra do Ferreira na ultima quinta feira (16/05) na UFMG.
Gullar
é certamente o maior poeta brasileiro vivo. Com 82 anos de idade, já viveu
muito do que só ouvimos falar na escola ou lemos em livros! Com ou sem
intenção, ele tornou-se vanguardista ao romper com a estética vigente
(concretismo), devolvendo subjetivismo e sentimentos à arte. Posteriormente
passa a defender a arte engajada na luta social, de onde sai o Poema Sujo. Guarda críticas secas à
arte, como quando disse na palestra, que a arte moderna não é realmente arte, e
que boa vontade sem talento não basta no processo de criação artística.
A
história do poema começa na parte do exílio do autor em Buenos Aires (já havia
passado por Moscou, Santiago e Lima). Mas desgraçadamente a questão política se
agravou, aumentando assim a repressão às esquerdas e aos exilados. Com o
passaporte vencido, e ciente que os agentes da ditadura poderiam entrar a qualquer
momento na Argentina a procura dos exilados: “decidi, então, escrever um poema
que fosse o meu testemunho final, antes que me calassem para sempre”.
“vivi
entregue ao poema”.
O poeta decidiu vomitar
toda a informação que tinha, em escrita automática, e a partir disso tirar o
seu poema. O vômito, porém, não veio. Após alguns dias conseguiu
inicia-lo, e como mágica, as palavras tomaram corpo e todas as vivencias do
autor “pareciam agora acessíveis à expressão”. Nasceu assim um texto sem
sequência cronológica, mas com uma série de acontecimentos simultâneos que tornam a leitura
emocionante, incessante, intensa. Ao mesmo tempo que explícita e vulgar (razão
do “Sujo” no nome do livro), o autor a torna extremamente íntima de sua cidade
e de sua vida em São Luis, usando do cotidiano simples, tangível do lugar.
“Assim
apodrece o Anil/ao leste de nossa cidade/(...)/embora com um cheiro/que nada
tinha/(...)/nem da miséria dos homens/escravos de outros/que ali vivem
agora/feito caranguejos.”
A
primeira leitura do poema foi feita pelo próprio Ferreira, a pedido de Vinícius
de Moraes, para um grupo de amigos. Vinicius, comovido, pediu uma copia para
levar ao Brasil. Decidiram ser melhor grava-la em uma fita para trazê-la. ”Nas
circunstancias, ouvi-lo dito por mim, poeta exilado, era certamente
emocionante”. Dessa forma, as cópias se multiplicaram e, sem demora, apareceu
um editor querendo lançar o livro, que logo ficou falado entre o povo e a imprensa.
Começou
assim, uma campanha para pedir o retorno do autor para o Brasil, e mesmo que a
resposta dos ditadores tenha sido não, ele voltou. Foi levado para o DOI-CODI,
onde ficou 72h em interrogatório e sofrendo ameaças, mesmo que já soubessem
tudo o que ele tinha pra dizer. Ao fim disseram: “foi pra você não pensar que
podia voltar assim, de graça”.
“de
qualquer maneira, devo ao poema sujo o fim antecipado do meu exílio.”
A leitura nos permite adentrar
integralmente em São Luis. Diante de um relacionamento geral dos homens e suas
cidades, entramos profundamente na mais pessoal São Luis de Gullar. Chega-se a um
momento em que o autor nos leva tão a fundo nessa cidade, que não conseguimos
sair até que o poema acabe e, quando acaba, entendemos a real essência a ser
transmitida: “As casas, as cidades, são apenas lugares por
onde/passando/passamos”. Se eu indico? Claro!
Texto baseado no livro e na palestra.
Assinar:
Postagens (Atom)







